ENTRE O FISCAL E O PEDAGÓGICO

COMO A RENÚNCIA DE RECEITAS E O EMPREENDEDORISMO SUBORDINAM A EDUCAÇÃO INFANTIL AO CAPITAL

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.31512/19819250.2025.26.03.231-246

Palabras clave:

Empreendedorismo, Renúncia de receitas , Educação infantil , Privatização , Direito à educação

Resumen

Los intereses del capital y sus estrategias para superar la crisis del neoliberalismo encuentran terreno fértil en la

educación. En este artículo, se analiza el emprendimiento y la renuncia de ingresos fiscales como formas de

privatización que afectan a la Educación Infantil. La primera transfiere recursos públicos a entidades privadas a

través de incentivos fiscales, mientras que la segunda difunde valores mercantiles en el currículo escolar,

moldeando la formación de niños, familias y profesores. La investigación adopta el materialismo histórico-

dialéctico como referencia, articulando una revisión bibliográfica, un análisis documental y un examen crítico de

la legislación tributaria. Se consideraron informes de la Receita Federal, normativas legales y producciones

académicas sobre la privatización y la financiarización de la educación, además del análisis de materiales

pedagógicos difundidos por fundaciones empresariales y por el Servicio Brasileño de Apoyo a las Micro y

Pequeñas Empresas (SEBRAE). Se constató que la renuncia fiscal, al desvincular recursos del fondo público,

favorece a fundaciones e institutos empresariales que comienzan a definir contenidos y prácticas educativas. Estas

instituciones introducen competencias socioemocionales, meritocracia y emprendimiento en la Educación Infantil,

subordinando el currículo a valores de mercado. Este proceso refuerza la financiarización de la educación,

naturaliza la responsabilización individual y debilita el carácter público y democrático de la escuela. Las dinámicas

de renuncia fiscal y emprendimiento configuran mecanismos de privatización que comprometen la equidad y el

derecho a la educación. La articulación entre financiamiento indirecto y la difusión de contenidos alineados con el

capital evidencia la subordinación de la Educación Infantil a la lógica neoliberal, transformándola en un espacio

de reproducción de desigualdades estructurales.

Biografía del autor/a

Maria Otilia Kroeff Susin, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Mestre (2005) e doutora (2009) pela Universidade Federal do Rio Grande do SUL/UFRGS, na linha de pesquisa sobre Políticas Públicas e Processos de Gestão. Professora aposentada da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre/SMED-RS. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Relação entre o Público e o Privado na Educação/GPRPPE vinculado a PPGEDU/UFRGS.



Monique Robain Montano, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Mestre (2018) e doutora (2024) pela Universidade Federal do Rio Grande do SUL/UFRGS, na linha de pesquisa sobre Políticas Públicas e Processos de Gestão. Professora aposentada da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre/SMED-RS. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Relação entre o Público e o Privado na Educação/GPRPPE vinculado a PPGEDU/UFRGS.

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Publicado

2025-12-30

Cómo citar

Susin, M. O. K., & Montano, M. R. (2025). ENTRE O FISCAL E O PEDAGÓGICO: COMO A RENÚNCIA DE RECEITAS E O EMPREENDEDORISMO SUBORDINAM A EDUCAÇÃO INFANTIL AO CAPITAL. Revista De Ciências Humanas, 26(3), 231–246. https://doi.org/10.31512/19819250.2025.26.03.231-246