CIDADES QUE EDUCAM E TRANSFORMAM

PRINCÍPIOS FUNDANTES DA GESTÃO À CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS EDUCATIVOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31512/19819250.2024.25.03.126-141

Resumo

O presente estudo objetiva abordar os princípios fundantes para uma gestão da educação, na construção de cidades que educam e transformam, sob à luz da Cátedra da UNESCO Rede UNITWIN. O estudo se justifica considerando que o conceito de “cidades que educam” representa uma expansão dos espaços educativos tradicionalmente escolares, integrando também movimentos educacionais que possibilitam o acesso e a participação dos diferentes sujeitos da sociedade. Vale ressaltar que os territórios da escola ganham novos significados e ultrapassam os muros institucionais para uma intervenção efetiva nas diversas comunidades em que se encontram. Parte-se de uma abordagem qualitativa e bibliográfica, articulando referenciais teóricos que abordam marcos conceituais da gestão na educação. A problemática do estudo está fundamentada no papel educativo das cidades, cuja intencionalidade possibilita a participação de cidadãos de diferentes faixas etárias e gerações. Na sua base teórica, as Cartas das Cidades Educadoras (AICE, 1994; 2020) defendem a reinvenção do papel da educação na cidade, compreendendo-a como algo muito além de um conjunto de espaços ocupados por pessoas, suas moradias e edificações. Os resultados apontam que os princípios desta gestão estão presentes em abordagens educacionais interacionistas e significativas, capazes de promover novas experiências para a sociedade. Na gestão, temos quatro princípios fundantes: a constituição de currículo da cidade; o mapeamento da escola e as interfaces com o seu entorno; a proposição didática baseada nas relações intergeracionais e a escola com o futuro. São estes princípios que poderão fortalecer a gestão para a construção de cidades que educam e transformam.

Biografia do Autor

Elisabete Cerutti, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões

Possui Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2014), Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (2004) e graduação em Pedagogia pela URI (2001). É professora titular na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, na qual atua na graduação desde 2006 e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU) desde 2015. Também é membro do Conselho de Câmpus e do Conselho Universitário da URI. Lidera o Grupo de Pesquisa em Educação e Tecnologias (GPET/URI) e integra os Grupos de Pesquisa ARGOS da PUC/RS. Em 2022, foi indicada para a Cátedra UNESCO “Cidades que educam e transformam”. Foi Diretora Acadêmica da URI/Câmpus Frederico Westphalen nas gestões de 2014 a 2018 e de 2018 a 2022; desde janeiro de 2023, exerce a função de Diretora Geral. E-mail: beticerutti@uri.edu.br.

Marili Moreira da Silva Vieira, Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

Possui Pós-Doutorado pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Doutorado e Mestrado em Educação (PUC/SP) e graduação em Pedagogia (PUC/SP). Atualmente, é professora permanente no Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura (PPGEAHC) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares sobre Currículo e Sociedade (GEICS). Membro do grupo de pesquisa CEPID da PUC/SP e da Cátedra UNESCO “Cidades que educam e transformam”. Atuou como Pró-Reitora de Graduação e Assuntos Acadêmicos na UPM e tem experiência na Educação Básica, além de atuação na elaboração de livros didáticos e projetos pedagógicos. Pesquisa temas como formação de professores, currículo e gestão pedagógica. E-mail: marili.vieira@mackenzie.br.

Referências

AICE. Associação Internacional de Cidades Educadoras. Carta das Cidades Educadoras. Declaração de Barcelona (1990). Bolonha/Itália: III Congresso Internacional de Cidades Educadoras, 1994. Disponível em: https://www.edcities.org/pt/carta-das-cidades-educadoras/. Acesso em: 24 jun. 2020.

AICE. Associação Internacional de Cidades Educadoras. Carta das Cidades Educadoras. Gênova/Itália: AICE, 2004. Disponível em: https://www.edcities.org/pt/carta-das-cidades-educadoras/. Acesso em: 24 jun. 2020.

AICE. Associação Internacional de Cidades Educadoras. Carta das cidades educadoras. Barcelona/Espanha: AICE, 2020. Disponível em: https://www.edcities.org/carta-deciudades-educadoras/. Acesso em: 27 ago. 2024.

BASSO, Susana Schwartz; BERNARDI, Luci dos Santos; Cidades Educadoras e Produção do Conhecimento: análise de redes sociais no Brasil. Revista Intersaberes. Curitiba/PR, v. 19, n. e24do1006, 2024. DOI: https://doi.org/10.22169/revint.v19.e24do1006

CABEZUDO, Alícia; GADOTTI, Moacir; PADILHA, Paulo Roberto (Orgs.). Cidade educadora: princípios e experiências. São Paulo/SP: Editora Cortez; Instituto Paulo Freire. Buenos Aires/Argentina: Ciudades Educadoras América Latina, 2004.

CARTA DE FREDERICO WESTPHALEN. Revista de Ciências Humanas. Frederico Westphalen/RS, v. 22, n. 1, 2021. Disponível em: https://revistas.fw.uri.br/revistadech/article/view/3987/pdf. Acesso em: 20 set. 2024.

FAURE, Edgar; HERRERA, Felipe; KADDOURA, Abdul-Razzak; LOPES, Henri; PETROVSKI, Arthur V.; RAHNEMA, Majid; WARD; Frederick Champion. Aprender a ser. Lisboa/Portugal: Editora Alianza, 1972.

GIOMETTI, Analúcia B. R.; BRAGA, Roberto. Pedagogia cidadã: cadernos de formação – ensino de geografia. São Paulo/SP: UNESP-PROPP, 2004.

KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Campinas/SP: Editora Papirus, 1999.

LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. Tradução: Rubens Eduardo Frias. 6 reimpr. São Paulo/SP: Editora Centauro, 2016.

LOPES, Graziela P.; DIEHL, Rafael. Intervir. In: FONSECA, T.M.G.; NASCIMENTO, M.L.; MARASCHIN, C. (Orgs.). Pesquisar na diferença: um abecedário. Porto Alegre/RS: Editora Sulina, 2012. p. 135-139.

LÜCK, Heloísa. A evolução da gestão educacional a partir de mudança paradigmática. Revista Gestão em Rede, n. 3, p. 13-18, nov. 1997. Disponível em: https://cedhap.com.br/wp-content/uploads/2013/09/ge_GestaoEscolar_02.pdf. Acesso em: 21 set. 2013.

OLIVEIRA, Lisiane Cézar de; SCHLEMMER, Eliane. A cidade como espaço de aprendizagem e a educação OnLIFE. In: LUCENA, S.; NASCIMENTO, M.B.C.; SORTE, P.B. (Eds.). Pesquisas em educação e redes colaborativas. Ilhéus/BA: EDITUS, 2023. p. 19-38.

PARO, Vitor Henrique. A educação, a política e a administração: reflexões sobre a prática do diretor de escola. Educação e Pesquisa, São Paulo/SP, v. 36, n. 3, p. 763-778, set./dez. 2010.

SÃO PAULO. Educação Integral: política São Paulo educadora. São Paulo/SP: Secretaria Municipal de Educação; Coordenadoria Pedagógica (SME/COPED), 2020.

UNESCO. Programa de Cátedras da UNESCO/Rede UNITWIN, 2023. Disponível em: https://www.ucs.br/site/catedra-unesco-em-educacao-para-a-cidadania-global-e-justica-socioambiental/. Acesso em: 6 nov. 2024.

UNESCO. Rede Mundial de Cidades de Aprendizagem da UNESCO: 64 novos membros de 35 países. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/articles/unesco-global-network-learning-cities-64-new-members-35-countries

Downloads

Publicado

2024-12-27 — Atualizado em 2026-01-08

Versões

Como Citar

Cerutti, E., & Moreira da Silva Vieira, M. (2026). CIDADES QUE EDUCAM E TRANSFORMAM: PRINCÍPIOS FUNDANTES DA GESTÃO À CONSTRUÇÃO DE TERRITÓRIOS EDUCATIVOS. Revista De Ciências Humanas, 25(3), 126–141. https://doi.org/10.31512/19819250.2024.25.03.126-141 (Original work published 27º de dezembro de 2024)