DIFERENTES OLHARES

NOVAS PERSPECTIVAS PARA AS OLIMPÍADAS CIENTÍFICAS, MOSTRAS E FEIRAS DE CIÊNCIAS NO BRASIL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31512/19819250.2025.26.01.247-270

Palavras-chave:

Educação integral, Feiras de ciências, Mostras científicas, Olimpíadas, Autonomia

Resumo

O trabalho analisa Feiras de Ciências, Mostras e Olimpíadas Científicas sob uma perspectiva crítica e dialógica, fundamentada na Educação Integral. Investigamos se essas iniciativas garantem educação inclusiva ou perpetuam desigualdades sociais, considerando suas implicações pedagógicas e epistemológicas. A metodologia baseia-se em revisão teórica de Freire, Bachelard, Adorno e Moll. Freire defende uma educação crítica e democrática; Bachelard analisa obstáculos epistemológicos; Adorno ressalta a educação emancipatória contra a desinformação; e Moll propõe a articulação entre escolas e territórios. Os resultados indicam que, embora essas iniciativas sejam ferramentas pedagógicas relevantes, ainda enfrentam desafios para promover inclusão e equidade, frequentemente reproduzindo desigualdades. Concluímos ser essencial repensá-las sob uma abordagem crítica, priorizando inclusão, colaboração e formação integral, alinhando-as aos princípios da Educação Integral para garantir uma transformação educacional efetiva.

Biografia do Autor

Marcos Antonio Pinto Ribeiro, Escola Técnica Maria Wilza

Atualmente, o pesquisador é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Possui mestrado em Educação em Ciências pela mesma instituição e é graduado em Licenciatura em Física pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Além disso, desempenha o cargo de professor de Física no Estado de Pernambuco, possuindo especialização em Ensino de Matemática. Com trajetória incluindo experiências significativas, como a atuação como pesquisador bolsista do Espaço Ciência e Cultura da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) entre 2006 e 2012, período em que também exerceu a função de Coordenador Científico do Espaço Ciência. Em 2012, é diretor e sócio fundador do Museu de Ciências Ricardo Ferreira (MCRF). Destaca-se ainda sua participação representando o Brasil na 7 Expo-Sciences ESI-AMLAT 2014, realizada em Medelín, Colômbia. Com expertise abrangendo a área de Educação, com foco em Tecnologia Educacional, englobando temas como divulgação científica, popularização da ciência e educação científica. Desde 2004, atua como coordenador do Polo ABC na Educação Científica: Mão na Massa no Vale do São Francisco. Em reconhecimento ao seu trabalho, foi agraciado com o prêmio "Qualidade do Ensino e Gestão da Sala de Aula" pelo estado de Pernambuco em 2014. Desde então, tem sido consultor em projetos de Centros e Museus de Ciência no Estado do Maranhão, como o MUSCA, e na Casa Trevo em Campo Formoso, Bahia, a partir de 2016. Além disso, desempenha o papel de coordenador do projeto Museu de Ciência Ricardo Ferreira, financiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE).

Carlos Wagner Costa Araújo, MCTI

Possui graduação em Bacharelado e licenciatura em História pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES (1995). Especialização em Jornalismo e Divulgação Científica pelo NJR/NJR/USP. Mestrado em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde - UFRGS (2019), Doutorado em Educação em Ciências - UFRGS (2023). Membro do grupo Formação Humana Integral na escola básica no Brasil: sujeitos, territórios, dimensões e interfaces da UFRGS. Professor do Colegiado de Ciências da Natureza/UNIVASF-Senhor do Bonfim-BA (2009-2015). Diretor Núcleo de Ciências/UFES (1996-2004). Diretor do Espaço Ciência e Cultura/UNIVASF (2004-2012). Assessor de Popularização da Ciência da UNIVASF (2009-2012). Presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência - ABCMC (2012-2015). Sócio Fundador do Museu de Ciências Ricardo Ferreira - MCRF - 2012.Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Tecnologia Educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: divulgação científica , popularização da ciência, educação científica. Consultor da CAPES (2008-2011) para elaboração de especialização nos Anos Iniciais. Coordenador do Polo ABC na Educação Científica: Mão na Massa no Vale do São Francisco, desde 2004. Comitê de Avaliação de Projetos de Extensão da UFPE (2009-2014). Avaliador de Projetos para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia - Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação - MCTIC (2016). Consultor de Projetos para Centros e Museus de Ciência Maranhão - MUSCA e Casa Trevo em Campo Formoso/BA (2016). Consultor da UNESCO - 2017 em Políticas Públicas para Juventude na Secretaria Nacional de Juventude - SNJ. Avaliador do Prêmio Inovação Tecnológica na Escola Nacional de de Administração Pública - ENAP. Bolsista PAV no Comitê de Divulgação Científica do CNPq (2018 - 2021). Coordenador da Oficinas de Projetos para popularização da Ciência - CNPq. Assessoria no Departamento de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI,

Roniere dos Santos Fenner, UFRGS

Doutorado no Programa de Pós-Graduação Educação em Ciências: Química da Vida e da Saúde pela UFRGS - RS . Mestre em Educação pela UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos - RS e Especialista em Educação Interdisciplinar pela CELER Faculdades - SC. Graduado em Ciências do Ensino Fundamental e Química do Ensino Médio pela UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - RS. Professor de química do Ensino Médio, pré-vestibular e curso técnico em auxiliar de farmácia. Agente Educacional do Estado do Rio Grande do Sul desde 1994-2015. Coordenador o Setor de Recursos Humanos da 32ª Coordenadoria Regional da Educação em São Luiz Gonzaga. Atualmente Professor Adjunto A pela UFRGS, Campus Litoral Norte, no curso de Licenciatura em Educação do Campo: Ciências da Natureza. Professor nível mestrado e doutorado do PPG Educação em Ciências na UFRGS.

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Publicado

2025-05-09 — Atualizado em 2026-01-08

Versões

Como Citar

Ribeiro, M. A. P., Araújo, C. W. C., & Fenner, R. dos S. (2026). DIFERENTES OLHARES: NOVAS PERSPECTIVAS PARA AS OLIMPÍADAS CIENTÍFICAS, MOSTRAS E FEIRAS DE CIÊNCIAS NO BRASIL. Revista De Ciências Humanas, 26(1), 247–270. https://doi.org/10.31512/19819250.2025.26.01.247-270 (Original work published 9º de maio de 2025)

Edição

Seção

Dossiê Educação Integral, território e formação ao longo da vida para sociedades democráticas