A EDUCAÇÃO COMO NEGÓCIO
A INSERÇÃO DO GRUPO POSITIVO NA PRIVATIZAÇÃO E NO CONTROLE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.31512/19819250.2025.26.03.122-143Palavras-chave:
Privatização educacional, Fundo público, Controle empresarial da educação, Grupo Positivo, DemocratizaçãoResumo
O artigo busca analisar a influência do Grupo Positivo na educação pública brasileira. O foco é entender como a atuação do grupo promove a mercantilização e a privatização da educação, transformando-a em um campo de disputa entre o interesse público e o privado. O texto discute a privatização da e na educação pública no Brasil, destacando que ela ocorre por meio da transferência de ativos públicos para o setor privado. Trata-se, portanto, de mais uma estratégia de privatização do público, em que o fundo estatal destinado à educação é apropriado por corporações que transformam direitos sociais em oportunidades de negócio. Outra estratégia por parte das empresas que compromete o caráter público e democrático da educação é a introdução da gestão privada na educação resultando em processos͏ de privatização que trazem em si a lógica do mercado e o controle empresarial no sistema educacional, gerando assim ͏conflitos em relação à democratização. A pesquisa foi realizada no município de Gravataí/RS por meio de um Estudo de Caso. Concluímos que a comercialização da educação, impulsionada por corporações, prejudica a função social da educação pública, moldando-a para interesses de mercado. Esses processos de privatização enfraquecem a democracia nas escolas, centralizando decisões e comprometendo a autonomia dos educadores, criando desigualdades no acesso à qualidade do ensino, além de transformar o fundo público em lucro privado. Além disso, enfatiza que a lógica de mercado nas redes públicas provoca a fragilização da gestão democrática, substituindo-a por práticas autoritárias, que limitam a participação e a justiça social.
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